Outubro 11 2008

    Parece-nos que referir coisas como o nosso nome e a nossa idade não irá dizer nada às pessoas que visitam este blog. 
    Achamos que o que mais importa é a troca de experiências, visto que este é o nosso principal objectivo. 
    A sociedade não permite que possamos ter ao nosso dispôr diariamente um psicólogo ou até um psiquiatra com quem podemos partilhar as nossas dificuldades, dúvidas e inquietações.

    São muitas as vezes que nos sentimos incompreendidos, desamparados, sozinhos no mundo mesmo que rodeados de pessoas, e é nosso desejo que neste espaço todos encontrem a calma, a confiança, persistência, esperança através da partilha destes sentimentos tão negativos.Que após a sua passagem por este espaço se sintam acompanhados nesta caminhada e procura da felicidade e bem-estar.

   Foi por sentirmos também tudo isto que decidimos criar este blog.
   Não se feche... não estamos para julgar mas para ouvir e, se possível, ajudar.
   Colabore connosco!

publicado por Realidade Mascarada às 17:25

Li os testemunhos anteriores e confesso que me revi em muitos momentos que descreveram.
Não me sinto capaz de muitas coisas, não me sinto capaz de concretizar os meus sonhos, por vezes sinto até que não sou capaz nem merecedora de ter sonhos.
Acredito que os sonhos fazem falta, porque fazem. São o motivo para cá andarmos. Para todos os dias acordarmos e termos um objectivo quando realizamos qualquer tarefa. Mas não sei se eu mereço ter esse privilégio de acordar e ver o sol brilhar, era assim que eu pensava e por vezes ainda penso.
Há cerca de 3 anos (quase 4) entrei em depressão. Não sabia bem o que era, além de a minha mãe já ter passado por isso, mas sentir todo aquele desgosto, sentimento de culpa, medo, incapacidade, era mau de mais. Sempre me tinha considerado uma pessoa meiga e estava a transformar-me numa pessoa bastante agressiva. Mesmo sem forças e de olhos quase cerrados com tanto cansaço eu batia as portas e agarrava com força os meus cabelos.
Após recorrer a medicação as coisas começaram de certo modo a atenuar. Alguns dias menos agradáveis mas que tentava não dar importância.
Após dois anos desta depressão, uma recaída. E se a outra tinha sido má esta foi o horror dos horrores. Senti necessidade de me mascarar (tal como o nome do blog eu também mascarava a realidade), queria esconder o meu sofrimento e desespero de todas as pessoas. Mas no meu mundo, no meu quarto, eu deixava todas essas farsas e em silêncio escrevia o que me ia na alma.

Eu tinha e tenho um anjo, um irmão que faleceu, era com ele que desabafava. Era com ele que falava, em pensamento, e era ele o meu confidente. Uma das minhas melhores amigas acabava de ter um esgotamento e estava internada numa Casa de Saúde, era com ela que nos últimos tempos partilhava o que vivia, e não a tinha junto a mim. Isso deixava-me ainda pior. O falecimento da minha avó foi algo que me deitou ainda mais a baixo, isto a juntar ao esgotamento da minha amiga, com a doença de outra amiga e porque ainda necessitava de mais dificuldades, o terminar de um namoro de quase 2 anos.
Com tanta máscara que usei, tinha um armazém delas, muitas das pessoas não se aperceberam que eu não estava bem. Ajudas, eu não aceitava e que tivessem pena de mim, muito menos.
Ganhei pavor aos "batas brancas", e eu que sempre sonhei ser médica e usar uma todos os dias. Quando os meus pais me queriam levar ao hospital eu berrava desesperada: "Não...Médicos não...Hospital não...". Custava-me pedir e aceitar ajuda, ver alguém ajudar-me fazia-me sentir ainda pior.
A vontade de desistir de tudo era tanta, tanta que pensei em matar-me. Era a forma mais eficaz que eu encontrava para me livrar de todo aquele sofrimento. De toda aquela insignificância de pessoa que eu me sentia. Mas além de querer tanto me livrar do sofrimento faltava-me algo essencial: coragem. Eu não a tinha, nem para viver nem para me matar.
Em conversas que consegui ter, com um amigo e com o meu anjo, comecei a aceitar e a entender que era mesmo necessário eu aceitar ajuda. E que já não bastavam os meus pais a ajudar-me, mas que já necessitava de profissionais. Custou… Custou muito entrar naquele consultório e "pedir ajuda". Medicação... medicação… droga e mais droga. Ingeri tudo isso, e aos poucos fui ingerindo um ou outro sorriso, e secando a fonte de lágrimas. (Também já pouco restava para secar, de tanto que já tinha chorado). Canetas e papel em casa não faltavam mas eram muitas as folhas que eu escrevia, muitos os textos em que eu desabafava.

Enfim... tantas tantas tantas coisas aconteceram entretanto. Hoje encontro-me melhor. Mesmo por vezes sentindo que estou a entrada do poço novamente e que por muito pouco não caio outra vez.
Não me sinto uma pessoa forte, nem capaz de tudo, mas sinto-me feliz por ter conseguido "recuperar" e por ter deixado essencialmente as máscaras. Fui destruindo uma a uma e não imaginam o prazer que senti ao dar cabo delas. Foi quase como se apagasse esta fase da minha vida.

E, não desistam... E é importante tomar-se consciência de que estamos doentes e precisamos de ajuda. FORÇA.. CORAGEM.. PERSISTÊNCIA... LUTA, pois sem ela não se consegue.
E aos meus pais e amigos... OBRIGADO do fundo do coração.
E vocês estrelinhas: continuo a rezar todas as noites.
JC n me abandons
Anónimo a 3 de Novembro de 2008 às 23:57

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